quarta-feira, 3 de abril de 2013

Fonte do Ídolo (ou Quintal do Idro)

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Constitui-se como um antigo monumento da época romana.

A cidade de "Bracara Augusta" foi fundada por volta de 16 a.C., sob o governo de Augusto, implantada numa região anteriormente ocupada por povos autóctones. Os romanos, geralmente tolerantes em matéria religiosa, permitiam o culto a divindades locais, além dos deuses romanos.

A fonte é o único monumento romano de "Bracara Augusta" a ter sobrevivido relativamente intacto até aos nossos dias, sendo muito importante pelas informações.

Na antiga capital de Conventus, Bracara Augusta, foi edificado, nos inícios do século I, um santuário rupestre que é hoje conhecido como Fonte do Ídolo, ou “Quintal do Idro”.

Este monumento conservou-se, parcialmente, e é um dos locais da cidade romana mais divulgados devido ao seu cariz único.Numa superfície vertical com cerca de três metros de largura observa-se na parte esquerda uma estátua com cerca de 1,10 metros. Esta figura encontra-se num avançado estado de degradação, o que impossibilita averiguar se é feminina ou masculina. Todavia, consegue-se perceber que se trata de uma personagem togada que segura na mão um objecto, talvez uma cornucópia. À esquerda da cabeça é visível a seguinte inscrição: (CEL)ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT, que pode ser traduzido por “Celico Fronto, de Arcóbriga, Ambimógido fez (este monumento)”.

Do lado direito do monumento distingue-se uma edícula, com a representação de um busto no seu interior, que foi intencionalmente desviado para a esquerda dando, desta forma, espaço à seguinte inscrição: CELICVS FECIT, a que se segue na parte inferior do nicho: FRO(NTO), ou seja o nome do dedicante. À esquerda da edícula pode-se ler o nome de uma divindade: TONGONABIAGOI. O nicho é adornado por um frontão onde se pode ver uma pomba e um maço. Acima do frontão há uma epígrafe com letras gravadas em tipo diferente, e que é considerada tardia por diversos investigadores.

Na base deste nicho brota um pequeno manancial de água.

A interpretação deste santuário é complexa. A linha interpretativa originada por José Leite de Vasconcelos manteve-se estável ao longo de quase um século, sofrendo apenas algumas variações. Leite de Vasconcelos entende que a divindade e o dedicante se encontram ambos representados, assumindo que a primeira está representada na edícula e a segunda em alto-relevo.

Outro autor, António Rodríguez Colmenero, defende que se trata de um santuário plural. Desta forma o dedicante, Celicus Frontus, apenas está registado na inscrição enquanto as duas divindades estariam representadas. A figura em pé corresponderia à deusa Nabia (uma Nabia / Fortuna). Tongonabiagus, divindade da “veiga bracarense” estaria representada na edícula.

Com base no conhecimento dos vestígios encontrados na envolvente da Fonte do Ídolo, há investigadores que entendem que o monumento poderá ter sido parte integrante de uma domus suburbana, enquanto outros pensam que estamos perante um santuário público mandado edificar por Celico Fronto para usufruto da comunidade bracarense.

Seria pois um dos raros exemplos de evergetismo na cidade de Bracara Augusta. Estamos assim perante um local de grande relevância patrimonial e científica, quer pela sua originalidade, quer também pela informação que faculta acerca das divindades indígenas veneradas nos primórdios da Callaecia meridional.Apesar de ser dedicado a deuses autóctones, o santuário da Fonte do Ídolo possui um marcado estilo clássico.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 6 de Junho de 1910.